domingo, 27 de maio de 2012

Quero dormir eternamente*



Para meu filho Fausto, morto pelas drogas.
“Aquele que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma a vaidade, nem jura enganosamente, este receberá a benção do Senhor e a justiça do Deus da sua salvação”.  ( Sl 24.4-5)

Meu filho Fausto
Porque em vida
Foste puro, justo e bom
Deus na hora extrema,
Resgatou-te das trevas

Sim, meu filho
Quero dormir eternamente
Junto de ti
Porque agora dormes
com Deus.

Eduardo Gosson, pai que lutou pela vida do filho

*Últimas palavras do Fausto, antes de ir para a UTI nesta segunda.

A Organização Mundial de Saúde, OMS, revela que a maioria dos jovens viciados experimentou drogas pela primeira vez por curiosidade. Sabrina Magalhães, repórter, resumiu como a ‘curiosidade que mata’. As drogas servem como ‘remédio’ para os problemas pessoais dos jovens, uma fuga da realidade.
Neste sábado, fui ao velório do meu primo, um jovem de 28 anos, consumido pelas drogas. Um menino bom, de coração puro que nada tinha haver com o mundo dos vícios. Vi um pai desolado que lutou todos os dias para que o vício não levasse seu filho. Sabe como isso começou, numa festa de uma academia, isso mesmo, num lugar onde deveria achar saúde, ele encontrou as drogas e a morte. Um rapaz, amado pela galera da academia, começou a promover festas entre eles e a levar de graça, drogas para distribuir. Depois de ajudar muitos a viciar, ele começou com o comércio. E ontem, o fruto de uma dessas malditas festinhas, faleceu.  
Jovem, pai de duas crianças lindas, morreu porque um dia experimentou uma parada dada por um “amigo”. E essa é só mais uma história que ilustra a vida com as drogas já que mais de 20 mil brasileiros morrem por ano devido ao consumo ou tráfico de entorpecentes.
Antes que a curiosidade mate você, assassine a curiosidade. Antes de experimentar, conheça a vida de quem só experimentou. Converse com os familiares dos dependentes. Veja como eles eram antes e o que se tornaram agora, mas vá logo porque muitos já estão mortos ou sem domínio próprio porque experimentaram um bagulho, que no início parecia maneiro.
E se você já está envolvido nisso, procure ajuda antes que você não possa mais falar. Pais, filhos, amigos, irmãos, procurem ajuda antes que caíam as últimas lágrimas, antes de falar que foi melhor assim do que vê-lo morrer pior ainda. Essas palavras podem não mudar o mundo, mas se mudar o SEU mundo, vou poder dizer que valeu a pena.

Ao filho, ao pai, ao primo, ao amigo Fausto.

A Eduardo Gosson, por ser um exemplo, indesistível de um pai que luta por seus filhos.

Ao Pai de todos os pais, que não desiste de nós mesmo que todos desistam.

Ei, você ainda tem uma chance.
Thaíse Gosson